Conteúdos definidos pelo utilizador num ambiente de aprendizagem construtivista
20 Oct 2006.   63802 visits
Authors
Jean Johnson, Chief Executive, TheCademy
Jonny Dyer, TheCademy
Na era digital estão a desenvolver-se novas pedagogias que utilizam preferencialmente a colaboração, o pensamento internalizado, a reflexão e a repetição em alternativa ao conceito de aula; no entanto, a internet ainda é considerado por muitos como um mecanismo conveniente de transmissão em linha de materiais tradicionais.

Enquanto a norma for a do modelo convencional de transmissão de conteúdos (“content push”), as oportunidades de participação do discente estarão muitas vezes restringidas a perguntas de escolha múltipla ou a uma curta gama de ferramentas comunitárias que não reconhecem a cultura de mudança nem os desafios que afectam a aprendizagem do século XXI. Enquanto aumenta dramaticamente a quantidade de informação acessível às pessoas, os saberes necessários para se ter acesso e se processar essa informação não acompanham essa evolução. Ser bem sucedido no futuro dependerá de se saber, por exemplo, como utilizar novas tecnologias e como enquadrar a comunicação e a interacção sociais recorrendo a um leque de ferramentas multimédia.

A nossa pesquisa defende que, no contexto de comunidades em linha, os conteúdos criados a partir da contribuição dos utilizadores têm um papel importante a desempenhar quando se definem novas abordagens pedagógicas para a aprendizagem. Nas comunidades onde a organização social propicia confiança e auto-estima, as pessoas podem responsabilizar-se pela sua própria aprendizagem e desenvolvem um sentimento de apropriação graças à força de atracção exercida pela comunidade (“community pull”). O processo de aprendizagem assenta no desenvolvimento de competências de reflexão crítica e autónoma.

A aprendizagem mais eficiente acontece quando os interesses do discente são espicaçados e segui-los vai ao encontro das suas necessidades. Os alunos beneficiam da participação em comunidade, quando estão implicados no diálogo, nas trocas e na colaboração. No seio duma comunidade de aprendizagem, os alunos ganham em auto-confiança e em controlo. A comunidade oferece-lhes a sensação dum espaço de aprendizagem onde se partilham objectivos, onde existe colaboração e apoio.

Esse sentimento de comunidade ajuda a definir uma variedade de conteúdos com características comuns orientados para os utilizadores e criados pelas contribuições dos pares.

Este artigo foi originalmente publicado nas actas da conferência da m-ICTE 2005: “Recent Research Developments in Learning Technologies” (2005) Editors: A. Méndez-Vilas, B. González-Pereira, J. Mesa González, J.A. Mesa González.
ISBN Vol. II (pp. 448-893): 609-5996-1.

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Nas comunidades onde a organização social propicia confiança e auto-estima, as pessoas podem responsabilizar-se pela sua própria aprendizagem e desenvolvem um sentimento de apropriação graças à força de atracção exercida pela comunidade (“community pull”).
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