eLearning Papers nº 17
Conteúdos de e-learning
O panorama dos conteúdos de e-learning vive mudanças interessantes. Enquanto que o desenvolvimento dos media digitais oferece oportunidades radicalmente novas tanto aos fornecedores de conteúdos de aprendizagem como aos estudantes, as larguras de banda sempre maiores dos meios de telecomunicação vieram permitir o uso, não antecipado, de material rico em media (videoclips, audioclips, simulações, etc.) no campo do e-learning. Paralelamente, as bibliotecas digitais e outros recursos dispensam fornecedores e estudantes da necessidade de locais físicos de acesso restrito. No entanto, como provam os artigos deste número da eLearning Papers, devemos reavaliar as dificuldades visuais e pedagógicas dos conteúdos de e-learning.
As linhas de demarcação entre fornecedores de conteúdo e aprendentes têm vindo a alterar-se, à medida que os aprendentes intervêm na produção de conteúdos. Os exemplos fascinantes constituídos pela Wikipedia, o YouTube e o MySpace, entre outros, mostram a força e o potencial da produção inter-pares e dos conteúdos criados por utilizadores para a aprendizagem. Na verdade, esta tendência para a produção inter-pares vem realçar a necessidade de nos debruçarmos sobre as questões relacionadas com a qualidade dos conteúdos de e-learning com um novo olhar.
Num futuro próximo, os conteúdos de aprendizagem serão provenientes dum leque muito mais variado de agentes, onde terão lugar de destaque em termos da sua produção, por exemplo, organismos do terceiro sector, museus, agências noticiosas, etc. O intercâmbio destes elementos traduzir-se-á em oportunidades de acesso a uma larga oferta de novos e valiosos recursos para as partes envolvidas no sector da educação.
No entanto, apesar destas atraentes possibilidades tecnológicas disponibilizarem uma grande variedade de oportunidades de e-learning, o e-learning de boa qualidade continuará a precisar de ser bem concebido, bem realizado e bem suportado. Continuará a ser necessário respeitar aspectos importantes no rigor do desenho instrucional e pedagógico. A interactividade dos conteúdos de e-learning não aparece do nada; deve ser cuidadosamente planeada e executada. Assim, o acesso à aprendizagem vai continuar a ser um dos principais desafios futuros.
Os artigos deste número trazem-nos uma leitura singular do tema. O artigo assinado por Frans Van Assche & al. descreve o projecto Learning Resource Exchange (Bolsa de Recursos de Aprendizagem), cujo objectivo é a partilha de recursos educativos entre escolas europeias. Ulf-Daniel Ehlers e Jochen Josten discorrem sobre um procedimento de certificação de qualidade no domínio da capacitação. No artigo escrito por Ari-Matti Auvinen abordam-se os aspectos qualitativos dos conteúdos de e-learning produzidos inter-pares. Alivizos Sofos e Apostolos Kostas apresentam uma lista de critérios de avaliação para recursos educativos em linha. Para terminar, Olimpius Istrate analisa o desenho visual e pedagógico de material de e-learning.
Gostaríamos de agradecer a todos os autores por terem participado neste número da eLearning Papers, e esperamos que a sua leitura vos agrade.