eLearning Papers nº 18
Uma nova aprendizagem para uma nova sociedade
Quando, em 2001, Manuel Castells escreveu “The Internet Galaxy” antevia-se já que conhecimento e aprendizagem seriam trunfos maiores nas sociedades e economias do futuro, e que esta transformação societal ia ser possível graças à interferência das tecnologias digitais. Mas, na altura, a forma como as tecnologias iriam revolucionar a nossa maneira de processar informação, de disseminar o conhecimento e de aprender não era claramente visível. Ainda se considerava a aprendizagem um processo mental do indivíduo que tenta internalizar informação. Hoje, em 2010, verifica-se que a aprendizagem é enriquecida pela tecnologia à medida que evolui para um processo de partilha de comunidades que tentam externalizar informação e criar em conjunto novo conhecimento, situação radicalmente oposta à da era pré-digital.
Sabíamos que a Internet iria fazer emergir uma sociedade nova, em que a representação iria ser substituída pela participação. O que não sabíamos era como é que novas tecnologias do tipo realidade aumentada e realidade virtual iriam facilitar o acesso e o processamento da informação recorrendo a objectos tão banais como um par de óculos, que nos permitem sobrepor camadas virtuais ao mundo físico que nos rodeia ou até criar virtualidade total. Os primeiros hologramas já estavam a ser criados em laboratório, mas foram necessários vários anos até se materializarem os primeiros protótipos, deixando bem claro que as tecnologias não só iriam reduzir a penúria de informação e de comunicação como também iriam preencher vazios. A realidade física não ia apenas ser suprida, ia até ser alargada devido a uma presença virtual de 3D. As tecnologias continuarão a ter o seu impacto nos processos de aprendizagem e nos padrões de comunicação.
A relação entre aprendizagem e tecnologia tem percorrido uma sucessão de etapas, começando pela aprendizagem assistida por computador que veio substituir velhos procedimentos, passando por ambientes de aprendizagem com múltiplos agentes, e nos nossos dias a caminho de transformar os processos de aprendizagem em prestação de apoio a uma aprendizagem “a pedido” à medida tanto de indivíduos como de comunidades. As escolas e as universidades tradicionais tornar-se-ão núcleos centrais de círculos de instituições conectadas prestando serviços de aprendizagem personalizados para estudantes a tempo inteiro ou parcial, associando a vida activa ao espaço académico, aproximando o sector empresarial das instituições científicas. Grande parte dos conteúdos estará acessível graciosamente através de recursos abertos. À medida que a aprendizagem se faz durante toda a vida, os resultados serão valorizados e reconhecidos independentemente da natureza do processo de aprendizagem, seja ele formal ou informal.
Nesta edição especial encontrará ideias e análises de colegas cujo trabalho tem sido o de aproximar estas visões da realidade. Espelham a situação actual dos ambientes de aprendizagem e apresentam ideias sobre os requisitos e as consequências da transformação da aprendizagem que se vive no momento presente.